quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Abandono afetivo não gera indenização por danos morais


A 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da Comarca de Taubaté e negou recurso proposto por uma mulher que pretendia receber indenização por danos morais de seu pai, com fundamento em abandono afetivo.
        A autora da ação alegava que o genitor lhe negara afeto durante a vida toda e que sofrera com o desamparo material e moral. Afirmava, ainda, que a paternidade só foi reconhecida no curso de uma ação judicial.
        De acordo com a decisão da 6ª Câmara, o abandono não ficou comprovado, uma vez que o homem informou que desconhecia a existência da filha, razão pela qual só veio a conhecê-la na fase adulta.
        O relator do recurso, desembargador Sebastião Carlos Garcia, ressaltou em seu voto que, ainda que fosse comprovado o abandono afetivo, a situação não geraria uma indenização. Isso porque não há no ordenamento jurídico danos morais baseado em tal obrigação.
        “O dever de afeto não pode ser imposto, porquanto o sentimento, o amor, a consideração, o carinho são sensações intrínsecas ao ser humano, não podendo ser uma pessoa compelida a tanto. Não se mostra exigível condenar alguém a indenizar outrem por não haver amado. Tal questão, com efeito, não pode ser convolada em indenização de cunho financeiro, por envolver um dos sentimentos mais nobres do ser humano”, afirmou o relator.
        Os desembargadores Vito Guglielmi e Percival Nogueira também participaram do julgamento do recurso, que teve votação unânime.
        Comunicação Social TJSP – CA (texto) / AC (foto ilustrativa)
        imprensatj@tjsp.jus.br

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Livro para o PAI


A terapeuta familiar Roberta Palermo está preparando um livro voltadopara orientar o pai nas separações conflituosas. Seguno a terapeuta, "O forte serão as dicas para errar o mínimo possível após a separação e não aceitar alienação parental entre outros problemas."


O livro mostrará também depoimentos de outros pais contando o que fizeram de adequado e onde detectaram os erros para ajudar quem estiver vivendo o momento de separação.


Quem quiser dividir experiências e contar suas histórias (que aparecerão no livro com nomes trocados) pode enviar a história para o e-mail: robertamadrasta@globo.com


Visitem o site da terapeuta:
www.robertapalermo.com.br

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mulher é condenada a pagar R$ 30 mil por acusar ex de abusar das filhas‏

Segundo ação, mãe forçou filhas a denunciarem pai por tentativa de estupro.
Depois, elas voltaram espontaneamente à delegacia e negaram acusações.

(Do G1 RJ)
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro(TJ-RJ) condenou uma mulher a indenizar seu ex-companheiro em R$ 30 mil, por danos morais. De acordo com a ação, após o término do relacionamento, para se vingar do ex, a mulher teria coagido as filhas de criação do casal a irem à delegacia para denunciar o homem por tentativa de estupro e ameaça de morte. Depois, no entanto, as meninas foram espontaneamente à polícia e esclareceram que foram obrigadas pela mãe a acusarem o pai. Cabe recurso à decisão. As informações são do TJ-RJ.

Em depoimento, segundo o TJ-RJ, uma das filhas do casal disse que “tudo não passou de um plano arquitetado pela mãe para denegrir a imagem e a carreira do pai na Marinha" e também para conseguir vantagem financeira. Ainda de acordo com o TJ-RJ, a filha lembrou que a intenção da mãe era castigar o pai por ter se separado dela. Para isso, segundo o depoimento, a mulher teria espalhado a história para a vizinhança e levado a filha ao 1º Distrito Naval “para que contasse a mesma mentira”, além de ter se dirigido ao serviço social da Marinha.

“Esta situação de perseguição e constrangimentos é inadmissível num Estado Democrático de Direito”, afirmou o desembargador Ademir Paulo Pimentel, da 13ª Câmara Cível do TJ-RJ, em sua decisão.

De acordo com o TJ-RJ, em sua defesa, a mulher alegou que a discussão que causou a separação do casal começou justamente por causa da denúncia de uma das filhas de que sofria abuso por parte do então companheiro, quando as meninas eram menores de idade.
Quando atingiram a maioridade, ainda segundo a mãe, as duas foram morar com seus respectivos namorados e pediram ajuda financeira ao pai, na mesma época da retirada das acusações pelas filhas. No entanto, segundo o TJ-RJ, “tais alegações não foram provadas”.

domingo, 18 de setembro de 2011

Cenas de violência contra mulher em novelas aumentam denúncias de agressões

Alexandre Nero e Dira Paes em cena de Fina Estampa (25/8/2011)

Após as novelas “Mulheres Apaixonadas” e “A Favorita”, a temática da violência contra a mulher volta à tona na novela das nove, “Fina Estampa”. O conflito acontece entre os personagens Celeste (Dira Paes) e Baltazar (Alexandre Neto). Ela é agredida diariamente pelo marido e ainda não teve coragem de denunciá-lo para a polícia. Segundo o autor, Aguinaldo Silva, em entrevista ao UOL, a novela traz um debate sobre o porquê de as mulheres não denunciarem os agressores. Ele acredita que a ficção tenha força para alertar a sociedade. A constatação é confirmada pela delegada do 2ª DDM (Delegacia da Mulher de São Paulo), Jordana Rueda Amorim: “Em época de novelas que abordam o tema, o número de denúncias aumenta”.

Leia a matéria completa de TAÍS ALMENDRA clicando no link abaixo:

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fórum discutirá ALIENAÇÃO PARENTAL na EMERJ



FÓRUM PERMANENTE DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DA JUSTIÇA TERAPÊUTICA
19 de setembro de 2011, das 13h às 18h
Auditório Antonio Carlos Amorim - Av. Erasmo Braga, 115 – 4º andar - Centro
ALIENAÇÃO PARENTAL – sob a visão ética, jurídica e psicológica

Mesa de Abertura
Dra. Ivone Ferreira Caetano
Presidente do Fórum Permanente da Criança, do Adolescente e da Justiça Terapêutica e Juíza de Direito Titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca da Capital/RJ

13.00h – Palestra: “A Morte Inventada”
Alan Minas e Daniela Vitorino
Diretor e Produtora do Documentário “A Morte Inventada”

14.00h – Palestra: “Alienação ou proteção?”
Danielle Goldrajch
Psicóloga - TJRJ

15.00h – Palestra: “Aplicação Efetiva da Lei de Alienação Parental, nº 12.318/2010”
Dra. Maria Cristina de Brito Lima
Juíza de Direito TJRJ

16.00 – Palestra: “Moralidade da intervenção estatal na alteração ou inversão da guarda em decorrência da dificuldade de convivência entre filhos e genitores”
Dra. Maria Aglaé Tedesco Vilardo
Juíza de Direito TJRJ

17.00 – Debates
18.00 - Encerramento

INSCREVA-SE AQUI:
http://emerj.com.br/evento/inscricaoforum.php?codEvento=5966


(Obs.: A logo utilizada no cartaz é de criação de Nilson Falcão exclusivamente para a PAIS POR JUSTIÇA. A utilização da logo não foi solicitada e, portanto, sua utilização é ilegal uma vez que é registrada.)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pai cria blog com tirinhas sobre a paternidade


O técnico gráfico Bruno Luup levou para a prancheta seu lado dedicado e carinhoso de ser pai. Criou o blog O PAI DO ANO, no qual publica, toda quarta-feira, uma nova tirinha falando sobre paternidade. Das tirinhas publicadas, muitas são desenhadas pelo próprio Bruno, outras são gentilmente cedidas por artistas consagrados como, por exemplo, o grande Ziraldo.

Vale a pena conferir:

http://opaidoano.wordpress.com/


sábado, 27 de agosto de 2011

Projeto de Lei tenta acabar com a vergonha da transferência de pensão alimentícia



Tramita na Câmara o Projeto de Lei 858/11, do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que impede a transferência da cobrança de pensão alimentícia. A proposta altera o Código Civil (Lei 10.406/02).
Atualmente, se o parente que deve os alimentos em primeiro lugar não tiver condições de suportar a prestação em sua totalidade, o necessitado poderá requerer que o parente de grau imediato complemente a pensão. Por exemplo, se o pai prover alimentos de forma insuficiente, ou deixar de provê-los, o necessitado poderá pedi-los de seus avós.
O projeto estabelece que o parente a quem cabe o dever de prestar alimentos deverá arcar com esse, não cabendo transferir a quem quer que seja essa obrigação exclusivamente sua.
Segundo o autor, recentemente a imprensa noticiou a prisão de um casal de idosos por causa do não pagamento da pensão alimentícia devida pelo filho. “Nossos velhinhos já criaram suas famílias, já se sacrificaram o bastante, e no final de suas vidas ainda estão arriscados a ser presos por causa de obrigações que não são suas”, diz Portela.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado apenas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Poema do vocalista Bruno Gouveia para o filho Gabriel

Bruno, nós da PAIS POR JUSTIÇA nos solidarizamos com sua profunda dor diante desta chocante tragédia que ceifou a vida do seu filho. Falo em nome dos pais que amam os seus filhos e que têm o indescritível prazer de participar de viver a paternidade,  como percebe-se que também era o seu caso. Como um pai que ama infinitamente o filho, você consegue encontrar palavras quando elas mesmas não conseguem explicar ou amenizar a extensão desta dor lancinante, mas que servem para demonstrar, justamente, a infindável extensão desse AMOR. Estamos com você.


Nilson Falcão



Poema de Bruno para o filho Gabriel:
Para meu filho Gabriel† 10-08-08 / 17-06-11

PARTIDA

a morte de um filho
é uma gravidez às avessas
volta pra dentro da gente
para uma gestação eterna
aninha-se aos poucos
buscando um espaço
por isso dói o corpo
por isso, o cansaço

E como numa gestação ao contrário
a dor do parto é a da partida
de volta ao corpo pra acolhida
reviravolta na sua vida

E já começa te chutando, tirando o sono
mexendo os órgãos, lembrando o dono
que está presente, te bagunçando o pensamento
te vazando de lágrimas e disparando o coração,

A morte de um filho é essa gravidez ao contrário
mas com o tempo, vai desinchando
até se transformar numa semente de amor
e que nunca mais sairá de dentro de ti.
                                       
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O pior dia de minha vida
Caros amigos, parentes e fãs
Queria começar este post agradecendo a todos pela solidariedade, pelas mensagens de carinho, força, amor, fé, esperança por dias melhores. Em especial, meus familiares e toda equipe de minha banda, o Biquini Cavadão. Meu irmão Fábio e meu amigo Antônio Bindi conseguiram me isolar enquanto eu estava nos Estados Unidos para compor músicas pro novo disco. Sem celular e acesso a internet, não soube do ocorrido. Tinha acabado de chegar de Los Angeles em Nova Iorque. Eu e Coelho pegamos vôos diferentes e nos encontramos no aeroporto. Era para ficarmos três dias na cidade compondo com uma artista neozelandeza. Entretanto, ao encontrar meu guitarrista ele me avisou que tínhamos de voltar para “fazer um show muito importante”. Era cedo em Nova Iorque e passamos o nosso único dia na cidade perambulando pelas ruas até a hora de voltar para o aeroporto. Foi fundamental o seu cuidado comigo, me isolando de possíveis brasileiros que pudessem me dar a trágica notícia. Até no aeroporto, ele conseguiu que eu ficasse em uma sala VIP sem que eu desconfiasse de nada. Ao mesmo tempo, minha namorada Izabella me ocupava o tempo todo, distraindo-me com intermináveis ligações. Ela, cantora da banda Menina do Céu, enviou uma substituta para seus shows e ficou falando sem parar comigo, me distraindo carinhosamente. Por vezes, eu dizia que estava cansado de falar e queria aproveitar a cidade. Ela então enviava mensagens de texto para Coelho: “Ele cansou, agora, segure as pontas!”. E assim, longas horas se passaram até que o avião finalmente decolasse com destino ao Rio.
Ao chegar, fui recepcionado por uma delegação que cuidou de acelerar os tramites com imigração e alfândega (agradeço ao Governador Sergio Cabral por todo este cuidado). Nem assim, desconfiei. Pensava apenas “Nossa, este show deve ser importante mesmo!”. Para evitar sair pela porta principal, onde jornalistas nos aguardavam, me fizeram passar por trás, saindo pelo desembarque doméstico, onde fui recebido pelo meu produtor. Ele me recebeu correndo e me disse para entrar numa sala. Achei que, pela pressa toda em me retirar do local, eu devesse entrar num taxi ou ônibus para o local do show. Ouvi apenas, você tem que dar uma entrevista para a TV Globo. E foi então que notei, ao entrar na sala, que não havia show algum para ser feito, muito menos entrevista.
O primeiro que vi foi Miguel, tecladista do Biquini, mas logo estranhei a presença de Izabella. Numa rápida passada de olhos, notei que meus familiares estavam ali. Todos, menos meu pai.
- Eu já sei porque estou aqui. – tentei adivinhar
- Você sabe? – perguntou minha mãe, chorando
- Bruno, sente-se por favor – pedia meu irmão
- Meu pai….. – balbuciei
- Ele está bem, Bruno, seu pai está bem. – alguém que não me lembro, me avisou
Meu irmão insistiu para que eu sentasse enquanto começava a me dizer que uma imensa tragédia havia se abatido sobre nós.
- Gabriel ? – temi acertar
Então, meu irmão respirou fundo e me contou que Gabriel e a minha ex-mulher Fernanda haviam morrido num desastre de helicóptero em Trancoso. A irmã de Fernanda, Jordana, e seu filho Lucas, também pereceram. Me contou tudo que houve, que Fernanda ainda chegou com vida à praia mas faleceu no hospital.
- Eu não estou ouvindo isso – repetia
E os detalhes eram falados como um esparadrapo arrancado da pele: rapidamente e com muita dor.
- Meu anjinho…. – eu só conseguia dizer isso
E neste momento, Miguel, Birita, minha mãe, Izabella, todos me abraçaram e choraram muito. Eu continuava com os olhos arregalados em total choque. Magal, baixista, não parava de soluçar. Minha tia avó estava inconsolável. Cada um ali sofria minha dor que estava apenas começando.
Com a fala ofegante, eu recusei os remédios, queria ter consciência dos meus atos, e apenas pedi: por favor, me levem a eles. Uma van nos esperava e fomos direto ao Cemitério São João Baptista. Fernanda e Gabriel seriam sepultados juntos no jazigo da minha família.
Permaneci em total estado de choque. Pessoas me cumprimentavam. Colegas de estrada, amigos de longa data, diversos parentes. Minha prima Regina Casé me consolava, mas não era capaz de assimilar o que ela dizia. Sheik, da primeira formação da banda, com quem não falava há muitos anos, se reencontrou comigo. Jornalistas, músicos, primos que vieram de outras cidades, além da sofrida família de minha ex-mulher velavam os dois caixões. Não podia abri-los. No topo, apenas as fotos dos dois. O dia estava bonito e tudo parecia uma cidade cenográfica. Eu certamente acordaria deste sonho, acreditava. Em vão. A coroa de flores do Biquini dizia “Hang on, Be Strong”. Que ironia! Eram os versos de uma música em inglês que fizemos com a cantora Beth Hart em Los Angeles que diziam
Hang on, be strong/ sometimes life can slip away/

Segure firme, seja forte / Às vezes, a vida pode te escapar

Sem saber, havia composto nesta viagem a letra da música para me amparar!
Gabriel viveu 2 anos e dez meses. Tive a felicidade e honra de ser mais que um pai. Eu me apelidava de “pãe”. Logo que ele nasceu, pedi à mãe que, uma vez que a amamentação era um privilégio dela, que o banho dele fosse o meu. E todos os dias eu o banhava, trocava suas fraldas, ninava e o colocava para dormir. Viajava muito mas, em seguida, pegava o primeiro voo para vê-lo acordar e poder passear na pracinha. Eu era o único homem em meio a tantas mães e babás. Tive noites mal dormidas, traduzi-lhe com beijos o que diziam as palavras. Igualmente era o único pai nas aulas de natação para bebês. Participei de cada momento de sua vida com um mergulho intenso e de cabeça.
Fernanda foi minha mulher e companheira por dez anos, convivendo numa querida família. Em 2007, decidimos ter nosso filho e ele nasceu no dia dos pais – o maior presente que poderia receber. Por sorte ou coincidência, não tive show no dia e pude vê-lo nascer. Infelizmente, nosso relacionamento passou por crises que culminaram com nosso afastamento como casal. Divórcios sempre são estressantes mas acreditava que o tempo curaria as feridas e seríamos bons amigos.
Nós dois éramos muito ligados ao Gabriel e eu era um pai coruja que beirava o chato. Meu único assunto era ele. Os fãs se deliciavam, enquanto eu mostrava fotos mais recentes. Também fiz vários videoclipes e, junto com minha ex-mulher, postamos tudo no blog http://mimevoce.blogspot.com contando desde a gestação, passando pelo nascimento e por todos os detalhes do seu dia a dia.
Perdi duas pessoas que marcaram minha vida. E quando o padre perguntou no velório se alguém queria dizer algo, eu levantei o braço. Tirei todas as forças de dentro de mim e cantei:
Tudo que viceja, também pode agonizar… e perder seu brilho em poucas semanas….
E não podemos evitar que a vida / trabalhe com o seu relógio invisível/ tirando o tempo de tudo que é perecivel
Entre soluços e lágrimas, muitos presentes me acompanharam ao som de Impossível, sucesso do Biquini Cavadão.
O detalhe é que cantei “é impossível esquecer vocês
Ao enterra-los, veio então a difícil tarefa de voltar pra casa e ver seus brinquedos, roupas, abrir a mala e ver tudo que comprei para ele. A palavra para definir o sentimento desde então é DOR. Não uma dor latente, insistente ou aguda. É uma dor que te assalta, te maltrata e te exaspera.
Continuava chorando pouco. Só dizia para todos: “O que está acontecendo comigo? Dediquei minha vida a alegrar as pessoas, por que motivo agora tiram de mim a maior alegria de minha vida”? Incapaz de desabafar, decidi provocar o meu choro. Vi vários vídeos de meu filho, um após o outro, até que veio o grito, a dor, como uma erupção vulcânica. Urros ensurdecedores. Os vizinhos batiam à porta perguntando o que fazer para me consolar. Minha mãe em prantos, Izabella me confortando sem parar. Foi horrível, mas me senti aliviado ao conseguir. Outros descarregos deste tipo vieram ao longo da semana.
Tenho dois shows neste sábado e domingo. Depois de muito pensar, decidi fazê-los. Chamei meu amigo Marcelo Hayena, do Uns e Outros. Ele estará por perto, caso me falte a voz. Ainda assim, estou confiante em cantá-lo até o fim. O motivo é simples. Meu filho nunca viu um show meu, por ser muito pequeno. Agora, ele tem cadeira cativa. E quero fazer para o meu Gabriel, o show mais lindo do mundo. E assim serão todos que eu puder fazer pro resto de minha vida!
Obrigado a todos pela força. Não consegui ler nem metade dos recados, mas deixo aqui o meu muito obrigado emocionado e meu consolo a todos que pereceram no desastre, em especial minha querida Jordana e meu sobrinho Luquinha.
Foi o pior dia de minha vida, mas cada reza, energia, força, recado, me amparou muito. Ainda sofro mas, de agora em diante, terei de viver um dia de cada vez.
Beijem seus filhos com carinho e fiquem com Deus.

Bruno Gouveia

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A MEGERA


Por Fabrício Carpinejar
Canalha! crônicas
Editora Bertrand Brasil


Há um tipo de mulher que me irrita e me deixa totalmente abatido: a megera. Ela me dá vontade de alterar o passado. Eu me envergonho do sol que bate na minha janela.

Corrigindo, a megera não é uma mulher; é a falta de mulher. Tampouco é um homem; é a ausência de sexualidade.

A megera não é mal-amada; ela não ama.

A megera dirá que você abandonou os filhos quando, na verdade, se separou dela. Ela não sairá do passado porque não tem futuro. Fará com que seu filho o odeie; não suporta odiá-lo desacompanhada.Produzirá na criança uma bomba-relógio contra o pai, a explodir na adolescência.

A megera educa seus filhos para não ter amigos e amores. Amigos e amores afastam os filhos dela. Tentará atingi-lo sempre usando as crianças contra você. Sua malícia é revestida de ingenuidade infantil.

Depois de meses sem notícia, telefonará para ofendê-lo de pai ausente, quando é ela que não deixa a criança conviver sem culpa.

A megera é a Idade Média.

A megera costuma falar mal de você de propósito na frente do filho.Incitará os filhos a questionarem sua atual esposa. Que briguem com ela. Que provoquem. Qualquer tapa moral que a atual esposa der no filho para repreender, a megera armará um barraco alegando que seu filho foi espancado.

Ela pode bater no filho de cinto, mas não permite que ninguém rivalize com sua raiva.

É fácil reconhecer uma megera: ela não mente; ela exagera. Ela não se depila; ela se corta. Não sofre por fazer sofrer.

Ela tem filhos e cria os filhos para dizer que fez tudo sozinha. É a vítima de sua própria ambição. Depois não consegue sucesso profissional e amoroso e culpa os filhos porque foi obrigada a ser mãe em tempo integral.

O triste é que os filhos não podem se separar da megera, como o pai. A megera terá sua família para fingir que ela não é uma megera.A megera é incapaz de falar "Tudo bem?"; logo, pergunta "O que foi?"

A megera entrará na justiça para avisar que você é rico e famoso e sonega rendimentos. Nunca diga sequer uma vírgula para a megera, ela não é confiável nem num enterro.

A megera está se lixando para a felicidade dos filhos, para a compreensão entre os irmãos de outros casamentos.

A megera não conseguiu ser feliz; é seu propósito não deixar ninguém mais ser. Pelo bem dos filhos, a megera esquecerá os escrúpulos. Ela quer aparecer na foto quando não foi convidada.
A megera é a bomba-relógio que deveria ter explodido na adolescência. A megera colocará seu filho no psicólogo, mas esquecerá de ir ao psicólogo. A megera pedirá para que fique com os filhos quando está interessada em viajar.

Será educada somente quando não tiver opção. Ela encontrará um jeito de não permitir que seu filho viaje com você. A megera é o fracasso do amor.


http://tudo-tem-historia.blogspot.com/2009/03/megera.html

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Após 30 dias em delegacia, Zé Elias reencontra filhos


"Não tem nada que pague receber um beijo deles', diz
ex-jogador de futebol que foi preso por não ter condições de pagar a absurda pensão alimentícia estipulada.

Após ser solto na tarde desta sexta (19), o ex-jogador Zé Elias seguiu para a sua casa, onde reencontrou o filhos (Foto: Marcelo Mora/G1)
O ex-jogador Zé Elias, de 34 anos, reencontrou os dois filhos que tem com a atual mulher em sua casa no Pacaembu, Zona Oeste de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (19). Ele deixou a delegacia após ficar 30 dias preso – o ex-jogador foi detido no dia 21 de julho por não pagar pensão alimentícia aos dois filhos, de 8 e 10 anos, que tem com sua ex-mulher.


 “Vivi muitas emoções como jogador. São emoções diferentes, mas com a mesma intensidade desta que estou vivendo agora ao reencontrar os meus filhos. Não tem nada que pague receber um beijo deles”, disse, em sua casa. “Não posso reclamar. Sou um privilegiado porque tenho uma família e amigos que me apoiaram. Lá dentro, vários colegas não tinham ninguém para dar um apoio para eles.”

A Justiça de São Paulo autorizou a libertação do ex-jogador no início desta tarde.
"O importante é levantar a cabeça. Paguei como determina a lei. Agora é dar um exemplo para meus filhos", disse, ao deixar a delegacia. "Estou aliviado porque a liberdade não tem preço. O que a gente passou aqui é um aprendizado. A gente aprende a dar valor a pequenas coisas, como um beijo da esposa, um abraço nos filhos."
Ele elogiou o pai, que o visitou por diversas vezes na delegacia. "É nessas horas que a gente sabe as pessoas com que pode contar. Indepentemente dos problemas que tive com ele no passado, ele veio aqui, me apoiou. No Dia dos Pais eu fiquei sabendo que ele veio de ônibus me visitar. Esse apoio é muito importante."
Após o reencontro com o filho, José Elias, pai do ex-jogador, disse que ainda se preocupa com a situação: “Fico preocupado porque haverá mais guerrinhas (judiciais), mais contestações. Mas só de saber que agora que ele está fora ele vai poder falar algumas coisas, vai poder se defender, já nos tranquiliza. Antes, por causa do segredo de justiça, ele não tinha condições de defender”.

Zé Elias também agradeceu a mulher. "Se eu consegui superar tudo isso, é porque eu tenho realmente uma mulher que me ama."
Ele disse que tem saudade de "trabalhar", mas que não pode mais voltar a jogar bola devido a problemas de saúde. "Agora só quero pensar em encontrar meus filhos."
Sobre o cotidiano na cadeia, disse que fez amigos no local. "Fiz amigos aqui que pretendo reencontrar aqui fora." Antes de deixar a delegacia, ele disse que os colegas de cela rezaram, "um hábito toda vez que alguém é liberado".
"Eu não fiz nada. Eu sei disso. Mas foi uma coisa que tive de cumprir. É o que a lei determina. Agora é seguir em frente. O importante é deitar na cama e dormir com a consciência daquilo que faz", disse Zé Elias, que escreveu um livro sobre a experiência na cadeia. “No livro, que é mais um diário, vou descrever situações como ter que socorrer um colega com deficiência visual que às duas da madrugada teve uma crise de insuficiência de insulina por ser diabético. É difícil estar preparado para uma situação dessas.”

Zé Elias e a sua mulher, Renata, com os dois filhos do casal (Foto: Marcelo Mora/G1)
Zé Elias e a sua mulher, Renata, com os dois filhos do casal
(Fotos: Marcelo Mora/G1) 

Expectativa
"Não planejamos nada para hoje, só quero que ele aproveite o encontro com os filhos. Foi uma lição de vida, toda a família vai sair fortalecida", disse a mulher dele, a médica Renata de Loreto Ribeiro do Val Moedim.

Zé Elias ficou preso na carceragem da delegacia que é destinada a presos que deixam de fazer o pagamento de pensões. Ele se apresentou à Divisão de Capturas da Polícia Civil no dia 21 de julho após receber um mandado de prisão. O processo está em andamento desde 2006, quando o ex-jogador solicitou a revisão do valor da pensão.
No dia 2 de agosto, a Justiça de São Paulo reduziu o valor. Em decisão publicada no Diário da Justiça Eletrônico, a juíza Graciella Salzman, do Fórum de Barueri, reduziu para um salário mínimo o valor a ser pago a cada filho – antes, era de R$ 25 mil para cada um.
O presidente da Comissão de Direito de Família da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Nelson Sussumu, disse que o valor devido pelo ex-jogador não pode justificar uma nova prisão. “A dívida vai ficar, mas se torna uma dívida passível de penhora de bens. Se ele não pagar [a pensão] daqui para frente, ele pode voltar à prisão. Mas por essa mesma dívida, não."
José Elias Moedim Júnior foi revelado no Corinthians, clube que defendeu profissionalmente de 1993 a 1996. Ele também teve passagens por outros times grandes, como Bayer Leverkusen, da Alemanha, Internazionale, Bologna e Genoa, da Itália, e pelo Santos. O ex-atleta defendeu a Seleção Brasileira e conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.


Fonte: G1